Musealização

O termo foi introduzido na Museologia por Zbyněk Z. Stránský tardiamente em sua obra, aparecendo em publicações de revistas especializadas pela primeira vez em 1972, e depois sendo retomado em 1979. Para esse autor, musealização (“muzealizace”, em tcheco) seria “a aquisição da qualidade museal” ou “aquilo que condiciona a musealidade e a não-musealidade das coisas”[¹]. O termo percorreria o campo de estudos teóricos em Museologia desde então, sendo associado a entendimentos variados, contudo determinantes para a fundamentação do campo museológico.

Historicamente, o termo “musealização”, como entendido por François Mairesse, ultrapassa o princípio da coleção para se inscrever no coração do princípio mesmo do museu na época das Luzes, como “fruto da razão e motor do desenvolvimento das ciências modernas”[²]. Percebendo o museu em uma concepção científica, os autores que sustentam tal perspectiva entendem que o objeto musealizado, “portador de informação” (objeto-documento), se inscreve no coração da atividade científica do museu, que visa a explorar a realidade por meio do estudo de seus fragmentos[³].

Tal perspectiva foi sendo relativizada nas análises contemporâneas que consideram como “museus” aquelas instituições que não estão necessariamente voltadas para a produção de conhecimento científico. Com o advento dos ecomuseus ou o desenvolvimento das vanguardas artísticas que tocaram o princípio mesmo de entendimento do museu, a noção de “musealização” passa a variar sensivelmente.

Entendida, na maioria das análises, como um processo científico, a musealização implica necessariamente no conjunto de atividades do museu: preservação (seleção, aquisição, gestão, conservação), pesquisa (com fins de catalogação) e comunicação (por meio da exposição, das publicações, etc.)[4] ou, segundo o modelo estabelecido por Stránský: seleção, tesaurização, apresentação.

Contudo, em algumas vertentes mais recentes, a musealização não se limita aos museus – estes atuando apenas como instrumentos de um processo mais amplo. Passa-se a falar, logo, em cadeia da musealização[5] ou em cadeia museológica[6], em que o processo tem início na sociedade onde são constituídos os valores sociais para a seleção, e, finalmente, retorna a ela por meio da ação dos museus.

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